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“Eu não enxergo cores e formas, mas a beleza dos sons”, diz garoto cego

A retinose pigmentar é hereditária. Hilbert toca sanfona e até gaita


10/09/2017 às 10:45h

“Eu não enxergo cores e formas, mas a beleza dos sons”, diz garoto cego
Crédito: Mário Sepúlveda/FE

Como todas as pessoas deficientes visuais, o garoto Hilbert Cardoso tem uma sensibilidade acima do normal para o tato, a audição e o olfato. Ele tem apenas treze anos, mora no Condomínio Alto do Rosário, na Mangabeira, em Feira de Santana. O menino sofre de uma doença chamada retinose pigmentar, que causa a degeneração da retina, região do fundo do olho humano, o que ocasionou a perda total de sua visão.


A mãe do menino, a dona de casa, Edileuza Conceição Santos, de 33 anos, explicou que a doença é hereditária. “Aos dezoito anos o médico diagnosticou que eu tinha retinose pigmentar, uma doença rara e sem cura. O médico na época disse que eu não poderia engravidar, mas eu já tinha dois filhos, ele disse que os meus filhos iriam adquirir a doença também. Então comecei a observar os meninos e percebi que Hilbert estava apresentando o problema. Aos quatro anos, ele andava e se batia nas paredes, ele passava por nós e não nos via, a chupeta caia e ele ficava procurando”, diz Edileuza.

 

Ela ainda conta: “os médicos disseram que ele iria perder a visão total aos treze anos e com oito anos ele perdeu a visão completa. De lá pra cá a situação não é fácil. São muitas as dificuldades que enfrentamos. Agora, descobrimos também que minha filha, a mais nova, também está passando pelo mesmo problema de Hibert. Os especialistas disseram que ela já perdeu 25% de um olho. É duro ver os filhos nessa situação”, fala a mulher.


Dona Edileuza é casada com Josival, eles têm três filhos, Hebert Cardoso (15 anos) Hilbert de 13 anos e Roberta Cardoso, de 10 anos. A família que é natural de Elísio Medrado, próximo a Santo Antonio de Jesus, está em Feira de Santana há dois anos. “Nossa vida foi muito difícil, nossa casa estava quase desabando. Foi por isso que decidimos vim para Feira de Santana. Além disso, meu filho Hilbert sofria muito na escola, as professoras o maltratavam, ele não conseguia aprender, era uma criança muito tímida”, explica a dona Edileuza.


Mesmo com todas essas dificuldades, Hilbert não encontrou empecilho para apreender a cozinha, andar de bicicleta e até mesmo a tocar sanfona e gaita. O garoto Hilbert chama a atenção de todos com seu talento tocando sanfona. Ele contou a nossa equipe que não conhecia nada de música, e através do Programa Música na Escola, desenvolvido pela Secretaria de Educação Municipal de Feira de Santana, aprendeu a tocar sanfona. “Foi através da música que minha vida mudou, na escola, o professor me ensinou a tocar sanfona. Hoje eu sei tudo sobre sanfona, adoro Luiz Gonzaga, meu sonho é ser um grande músico. Eu não enxergo as cores, as formas, mas eu enxergo a beleza dos sons”, fala Hilbert.


Para conhecer as técnicas do instrumento, Hilbert contou com a ajuda dos professores do Programa música na Escola. O professor João, explicou como funcionou esse processo de aprendizado de Hilbert. “Cada pessoa é única, com características físicas, mentais, sensoriais, afetivas e cognitivas diferenciadas. A educação musical para deficientes visuais normalmente é dada apenas através da audição.Hilbert sempre demonstrou gostar de música, não foi difícil ele aprender a tocar, ele adora Luiz Gonzaga, foram as músicas do cantor que o inspirou”, diz o professor.


Acordes da inclusão no currículo escolar


Hilbert estuda no Centro Integrado de Educação Professor Joselito Falcão de Amorim, primeira escola municipal de Feira de Santana, a oferecer o ensino inclusivo a crianças com deficiência. De acordo com a diretora, Marta Lima, a escola recebe 169 estudantes com alguma necessidade educacional especial.


“Desde 2003 que a nossa escola oferece o ensino inclusivo aos estudantes portadores de deficiência. A escola foi a primeira na rede municipal de Feira de Santana a oferecer, nós sabemos que os desafios são grandes, mas sabemos também da importância, pois sem dúvida, através da educação inclusiva podemos promover a diversidade na medida em que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar”, finaliza a diretora.


Foi lá, nos acordes do currículo escolar que o garoto começou a enxergar os sons que estão lhe fazendo superar os limites impostos pela vida ainda na infância. Através do programa Música na Escola, iniciativa da Secretaria da Educação de Feira de Santana, que, desde 2015, oportuniza aprendizado de instrumentos musicais, formação de corais e fanfarras para milhares de estudantes da rede. 

FONTE: Da Redação
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