Ponto e Vírgula 10/01/2026
Sobe - Presidente Lula que teve um importante papel na construção e consolidação do acordo entre União Europeia e Mercosul Desce - Governantes que se utilizam da força militar como meio de alcançar objetivos diplomáticos.
Entrevista
Em entrevista concedida à revista publicada ontem (9), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), abordou a crise de segurança pública no estado, destacando a necessidade de uma atuação estatal intensiva. Com o título "Quero a polícia forte", a revista foca nos desafios enfrentados pela gestão baiana, que detém o que classifica como a "mais longa hegemonia partidária vigente no país", com o PT completando seu quinto mandato consecutivo à frente do Executivo estadual. Ao ser questionado sobre os indicadores de criminalidade, o governador declarou que "o Estado não pode ser um Estado matador, nem se comparar à prática do crime organizado." Segundo ele, sua gestão trabalha para que a polícia seja capaz de investigar, prender e entregar os criminosos à Justiça. "Eu tenho a tese de que bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça, para que ele possa ser julgado e, uma vez condenado, pague a pena e viva em um ambiente de ressocialização", afirmou à revista.
Interlocução
Segundo o governador, ele mantém uma interlocução constante com o presidente Lula (PT) e com os ministros da Justiça desde o início de seu mandato. "Na primeira reunião dos governadores com Lula, um dos temas centrais foi a preocupação dele — e nossa — com a criminalidade", disse. Para Jerônimo, "a segurança pública requer responsabilidade dos estados, mas é preciso a mão organizadora da União", especialmente na proteção de fronteiras para impedir a entrada de armas e drogas.Para o enfrentamento direto das facções, o governador justificou o investimento em armamentos potentes. "Eu não gosto de usar dinheiro para comprar armas em vez de fazer mais teatros, escolas e creches. Mas o crime organizado tem armamentos potentes. O estado também precisa ter para enfrentá-lo", afirmou.
Pesquisa
Na mesma entrevista, o governador voltou a minimizar os resultados das pesquisas eleitorais, em que aparece atrás do principal adversário, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). Jerônimo Rodrigues acredita que a eleição para o governo da Bahia vai estar atrelada à disputa presidencial, que deverá ter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentando se reeleger. Além disso, o petista lembrou que seus antecessores, Jaques Wagner e Rui Costa, foram eleitos sem liderar os levantamentos. "Não existe eleição fácil. Nós vamos depender muito do cenário nacional, e a avaliação de Lula tem melhorado na Bahia. Respeito todas as pesquisas, mas nos dois mandatos de Wagner, nos dois de Rui e no meu, em cinco eleições consecutivas, não ganhávamos em nenhuma delas, segundo as sondagens", disse Jerônimo.
Exaltou
O deputado Euclides Fernandes (PT) exaltou a liderança política e diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução e conclusão do acordo histórico firmado entre o Mercosul e a União Europeia, negociação amadurecida ao longo de mais de 20 anos e agora concretizada. Por meio de moção de aplausos apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o parlamentar celebrou a iniciativa como "resultado de um processo diplomático complexo, estratégico e de grande relevância para o Brasil e para os demais países integrantes dos blocos". Para Euclides, o acordo representa um marco para a integração econômica internacional, ao ampliar oportunidades comerciais, fortalecer as relações multilaterais e promover uma maior inserção do Brasil no comércio global.
Tarifa zero
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou uma indicação na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) pedindo ao governador Jerônimo Rodrigues a elaboração imediata de estudos técnicos detalhados para a implantação da política de Tarifa Zero no transporte público estadual, incluindo os sistemas metropolitano, metroviário e aquaviário. A proposta enfrenta diretamente um dos principais fatores de desigualdade social no estado: o alto custo do transporte público, que pesa diariamente no orçamento da população trabalhadora. Para Hilton Coelho, o modelo atual é falido e injusto, pois transfere o custeio do sistema justamente para quem menos pode pagar.
Previsão
A indicação prevê que os estudos analisem os custos reais do sistema, as fontes alternativas de financiamento, a integração entre os modais e os impactos sociais, econômicos e ambientais da Tarifa Zero. Experiências já consolidadas em mais de 110 municípios brasileiros demonstram que o modelo é viável e traz benefícios concretos, como o aumento do número de passageiros, a melhoria da frota, a geração de empregos, o estímulo ao comércio local, além da redução da poluição e dos acidentes de trânsito. Responsável direto pela gestão do transporte metropolitano, do metrô, do sistema aquaviário e das linhas intermunicipais, o governo da Bahia tem papel estratégico na condução dessa transformação. Para o PSOL, cabe ao Estado assumir protagonismo e romper com a lógica que penaliza diariamente trabalhadores, estudantes e a população mais pobre.
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