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Inadimplência aumenta 25% após início da pandemia

A tendência é que até o final do mês a inadimplência cresça ainda mais, haja visto que inúmeras lojas estão proibidas de abrirem as portas pelas autoridades públicas em diversos estados do País


27/03/2020 às 11:44h

Inadimplência aumenta 25% após início da pandemia
Crédito: Reprodução

Os impactos da menor circulação de pessoas em alguns estados do País, devido aos efeitos da pandemia COVID-19, já começam a ser refletidos no varejo nacional. Levantamento junto a mais de 1.000 lojas parceiras de uma plataforma de concessão de crédito aponta que a inadimplência dos clientes aumentou em 25% no mês de março até a última segunda-feira (23) em comparação ao mesmo período de 2019.


De acordo com Jeison Schneider, cofundador da ferramenta, a tendência é que até o final do mês a inadimplência cresça ainda mais, haja visto que inúmeras lojas estão proibidas de abrirem as portas pelas autoridades públicas em diversos estados do País. “Infelizmente, a situação tende a ficar bem complicada nos próximos meses. Os lojistas com o caixa mais elevado conseguem até superar as perdas por dois ou três meses, mas para quem já está com dificuldade a dica é renegociar pagamentos com fornecedores e buscar empréstimos com taxas adequadas”, afirma.


Schneider esclarece ainda que para tentar receber o pagamento de parte da carteira, algumas lojas já começam a enviar SMS aos clientes, informando que a parcela deste mês pode ser liquidada por meio de boleto bancário, após a emissão no site. “Sem dúvida, essa estratégia pode ajudar algumas redes varejistas”, revela. Já as marcas que não conseguirem executar esse plano, o empreendedor sugere que abram mão do valor de juros de multa e mora para clientes em atraso quando a rotina dos brasileiros voltar a normalidade, uma vez que a fidelização é mais importante no contexto atual. “Após o isolamento social vale prestigiar o consumidor com esse benefício, até para incentivar novas compras e na medida do possível auxiliar a retomada da economia”, explica.


Consultas


Outro impacto aferido pela empresa envolve a queda de 58% no número de consultas de CPFs na semana passada (16 a 21 de março) em relação a anterior (9 a 14 de março). Segundo o empreendedor, esse é um indicador forte da desaceleração das lojas físicas do varejo nacional. “Mesmo nos estados que ainda mantém as lojas abertas, já se vê que os consumidores estão evitando aglomerações e alguns cortam a intenção de compra até mesmo pelo receio de não conseguir honrar os compromissos financeiros no futuro”, avalia.


Diante desse cenário de paralisia total, o momento dos lojistas refazerem o planejamento orçamentário do ano, considerando a desaceleração nas vendas e nos recebíveis. “A inadimplência deve retornar aos níveis pré coronavírus somente em 2021. Isso acontece porque muitos clientes ficarão endividados, outros terão redução de salário e alguns tendem a perder seus empregos. O lojista agora precisa acionar as lições de crises passadas, principalmente de 2008/2009 e 2015/2016. Ou seja, é gerar caixa para ao menos manter o negócio no mercado”, conclui. 

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