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Médica diz que homem falava em ‘acabar’ com vida dela

Em 2º depoimento, médica que caiu de prédio durante briga com companheiro , disse que homem falava em &lsduo;acabar’ com a vida dela


29/10/2020 às 02:49h

Médica diz que homem falava em ‘acabar’ com vida dela
Crédito: Redes Sociais/Reprodução

A médica Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo, que caiu do 5º andar de um prédio em Salvador, durante uma briga com o companheiro, disse em depoimento à polícia que no dia da queda, o também médico Rodolfo Cordeiro Lucas, falava que ia acabar com a vida dela. A informação consta em documentos do segundo depoimento de Sáttia, que foram obtidos com exclusividade pela TV Bahia.

 

A equipe de reportagem tentou, mas não conseguiu contato com a defesa do médico Rodolfo Cordeiro Lucas.

 

Sáttia prestou um depoimento ainda no hospital, mas não se recordava de detalhes do dia do ocorrido. Após deixar a unidade de saúde, ela prestou o segundo depoimento, no dia 28 de setembro.

 

No depoimento, Sáttia contou à polícia que, no dia 20 de julho, quando caiu da janela do apartamento, ela recordou que Rodolfo estava segurando o pescoço dela, ameaçando cortar o rosto dela e dizendo que iria acabar com a vida dela.

 

Durante a semana, antes da queda, Rodolfo teria dito que se ela terminasse o relacionamento, ele acabaria com a vida dela. Conforme consta no depoimento, Sáttia achou que fosse "brincadeira". Ela inda relatou que ao partir para cima dela, no dia da queda, ele repetia: "Eu avisei".


Ela também revelou ter lembrado do momento em que estava na janela. Disse que teria gritado por socorro, falando que não queria morrer e recordou que Rodolfo soltou a mão dela. Sáttia negou que tenha tentado suicídio, versão dada pelo suspeito.

 

Ainda no depoimento, Sáttia contou à polícia que tinha um relacionamento abusivo com o médico. Rodolfo, segundo revelou, já a agrediu com puxões de cabelo, socos e já até esfregou um pano no rosto dela para retirar a maquiagem que ela usava.

 

Sáttia revelou à polícia que sofreu, no relacionamento, agressões psicológicas, físicas e em um dos momentos chegou a se cortar ao ser empurrada por Rodolfo.

 

Segundo ela, Rodolfo Cordeiro estava acostumado a usar medicamentos psicoestimulantes e antidepressivos, insistindo que ela também os tomasse.

 

A médica contou também que não lembra do momento em que recebeu socorro do Samu, só lembra do momento e que já estava no Hospital Geral do Estado (HGE), primeira unidade onde recebeu atendimento.

 

Ao final do depoimento, ela disse que Rodolfo já falava para ela, antes mesmo da queda, que quem tem dinheiro no Brasil sai impune e que não sofre as consequências dos seus atos.

 

Reconstituição
 

Equipes da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizaram, na quarta-feira (28), a reconstituição do caso da queda de Sáttia.

 

O inquérito havia sido concluído no dia 3 de setembro, quando Rodolfo Cordeiro foi indiciado por tentativa de feminicídio. Entretanto, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) devolveu à Polícia Civil o inquérito, e pediu a reconstituição do caso, além de novas diligências e testemunhas.

 

Sáttia e Rodolfo não participaram da simulação feita na quarta-feira. Durante a reprodução simulada, foram analisados posicionamentos da vítima, de objetos na cena do crime e de testemunhas nos imóveis vizinhos.

 

A titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), de Brotas, delegada Bianca Torres, acompanhou o trabalho dos técnicos. Para ela, com a simulação será possível a chegar a um melhor entendimento do que ocorreu no dia da queda, além de atender à solicitação do MP-BA.

 

A reprodução simulada teve o acompanhamento do promotor de Justiça Antônio Luciano Silva Assis. O resultado será emitido pelo DPT e irá compor as diligências solicitadas pelo (MP-BA). A previsão é que o laudo saia em até 30 dias.

 

Caso


O caso aconteceu na madrugada do dia 20 de agosto, durante uma discussão do casal no prédio onde eles moravam, no bairro de Armação. Sáttia Lorena chegou a ficar em coma induzido e foi ouvida pela polícia cerca de um mês depois do ocorrido. Segundo a polícia, o trauma que ela sofreu comprometeu a memória recente da médica.


O companheiro de Sáttia, Rodolfo Lucas, chegou a ser preso em flagrante pelo crime, mas foi solto por decisão judicial.

 

Além da própria Sáttia, o suspeito também foi ouvido. Testemunhas prestaram depoimentos e laudos de perícia técnica fizeram parte das investigações e do inquérito.

 

Investigação

 

A principal suspeita da polícia é de que Sáttia tenha sido empurrada do apartamento pelo companheiro dela.

 

Em depoimento na Delegacia de Atendimento Especial à Mulher, o médico Rodolfo Lucas negou que tenha jogado Sáttia do apartamento e disse que a médica se dopava e estava depressiva, versão negada pela família dela. Ele disse à polícia que a médica se pendurou na janela do apartamento e que ele ainda tentou ajudá-la, segurando as mãos dela, mas mesmo assim ela caiu.

 

Familiares de Sáttia disseram que acreditam que ela foi jogada do apartamento pelo companheiro, e relataram que a médica vivia em um relacionamento abusivo. Uma vizinha do prédio em que Sáttia morava antes de se mudar com o companheiro também relatou que relação do casal era marcada por brigas, e que chegou a ver a médica pedir socorro.

 

A irmã de Sáttia disse, em depoimento à polícia, que a médica desabafou sobre humilhações que o médico Rodolfo Cordeiro Lucas a submetia. Jacqueline Aleixo afirmou que Rodolfo Lucas controlava as roupas de Sáttia e que ela teve que sair da academia de ginástica e desativar redes sociais por causa do ciúme do companheiro.


Imagens da câmera de segurança mostraram a médica Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo no elevador, horas antes de cair do quinto andar do prédio. No vídeo, é possível ver que a médica gesticulava bastante ao telefone, como se estivesse em discussão, por volta das 16h40 do dia 19 de julho. 

FONTE: G1 | BA
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