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Coronavac produz anticorpos em 97% dos participantes

A empresa já iniciou também um estudo clínico pessoas com mais de 60 anos de idade, e os resultados preliminares deste estudo, divulgados no início de setembro, apontam para uma resposta imune nesse grupo


18/11/2020 às 07:05h

Coronavac produz anticorpos em 97% dos participantes
Crédito: Divulgação

A vacina chinesa Coronavac produziu, depois de 28 dias, anticorpos em 97% dos voluntários saudáveis testados e é segura, afirma um estudo publicado nesta terça-feira (17) na revista especializada The Lancet Infectious Diseases.

 

A Coronavac é fabricada pela empresa chinesa Sinovac e está na fase 3 de testes em diversas regiões do Brasil desde julho, em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. Os dados do estudo são das fases 1 e 2.

 

Os resultados são provenientes de testes clínicos feitos na China em abril e maio, com 744 voluntários saudáveis entre os 18 e 59 anos, e revelaram que as respostas de anticorpos podem ser induzidas dentro de 28 dias após a primeira imunização, administrando duas doses da vacina com 14 dias de intervalo.

 

Níveis e persistência dos anticorpos


Porém, os níveis de anticorpos produzidos pela vacina foram mais baixos do que os observados em pessoas que foram infectadas e se recuperaram da doença covid-19, provocada pelo novo coronavírus.

 

Além disso, a persistência dos anticorpos gerados precisa ainda ser verificada para determinar quanto tempo durará a proteção contra o vírus, disseram os cientistas.

 

Diante disso, os cientistas frisaram que as descobertas da fase 3 serão cruciais para determinar se a resposta imunológica gerada pela Coronavac é suficiente para proteger contra uma infecção pelo Sars-CoV-2.

 

A pesquisa publicada, realizada por uma equipe chinesa, identificou a dose ideal para gerar as respostas imunológicas mais altas, enquanto observou os efeitos secundários, que foram leves e desapareceram em 48 horas.

 

O resultado já alcançado torna a vacina adequada para uso de emergência durante a pandemia, disse o pesquisador Fengcai Zhu, do Centro Provincial de Controle e Prevenção de Doenças de Jiangsu, na China.

 

Os autores identificaram algumas limitações no estudo, como o fato de o teste da fase 2 não ter avaliado as respostas das chamadas células T (células do sistema imunológico), que representam outra variante da resposta imunológica às infecções pelo vírus.

 

A tecnologia usada na vacina


A Coronavac, uma das 47 candidatas a vacinas contra o novo coronavírus em testes clínicos, baseia-se numa cepa viral do Sars-CoV-2, originalmente isolada de um paciente chinês.

 

Outros candidatas a vacina, como as da Moderna e da Biontech-Pfizer, utilizam a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) modificado. Ou seja, a resposta imunológica é gerada sem o uso de patógenos, como no caso da Coronavac. Como as vacinas de mRNA não são feitas com o próprio coronavírus, não há qualquer chance de alguém ser contaminado pela própria vacina.

 

O Butantan estima que terá 46 milhões de doses do imunizante, sendo que 6 milhões virão da China e 40 milhões serão produzidas em São Paulo.

FONTE: DW
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