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Pai de criança morta contesta versão policial

De acordo com a família, a casa onde moram não tem muro e o quintal fica em frente a um matagal, de onde saíram os PMs. Adielson dos Santos havia acabado de acordar e foi para a porta que dá acesso ao quintal do imóvel quando foi atingido


29/03/2021 às 06:10h

Pai de criança morta contesta versão policial
Crédito: Divulgação

O pai do adolescente Adielson dos Santos Lima, de 14 anos, morto durante uma ação da Polícia Militar em Feira de Santana, contesta versão da Polícia sobre a morte do filho. Adielson foi baleado dentro de casa, no sábado (27).

 

Em nota, a PM disse que durante o motopatrulhamento no conjunto Viveiros, onde o garoto morava, foram recebidos a tiros disparados por três suspeitos de tráfico de drogas. A PM informou também que, depois do tiroteio, eles perceberam que um dos suspeitos estava ferido e portava uma arma. Um dos indivíduos chegou a ser preso e confessou que houve troca de tiros entre a vítima e a Polícia.

 

Porém, o pai da vítima, Ridelson Nunes de Lima, nega que o filho estivesse armado no momento da ação policial e que o adolescente não sabia manusear uma arma de fogo.

 

“Nunca pegou numa arma, não sabe nem manejar uma arma. Saía comigo, levava pro colégio, trabalhava comigo, levava para todo lugar. Foi criado comigo com maior cuidado que tenho desde que nasceu. Se ia no mercado, eu ia. Não existe esse negócio de arma, não. Que a justiça seja feita”, disse.


O adolescente era filho único e morava com o pai e a avó em uma casa sem muros, com o quintal localizado em frente a um matagal, de onde teriam saídos os PMs efetuando os tiros que atingiram o adolescente. Conforme relembra o pai do garoto, que presenciou toda a ação, Adielson acordou, foi ao quintal da casa, em seguida, foi atingido pelos tiros.


“Foi um tiro atrás do outro, sem parar. Aí ele disse [filho]: 'Me acuda, painho'. Quando cheguei lá só vi a cuspida de sangue, sujou minha roupa. Eles invadiram [policiais ] e eu falei: 'Você matou meu filho'. Tinha que me afastar senão eles iriam me matar também", relata.

 

O garoto foi levado para o Hospital Geral Clériston Andrade, mas não resistiu. Ele foi sepultado na tarde de domingo (28), no Cemitério Jardim das Flores, em Feira de Santana.

FONTE: G1 | BA
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