Maioria do STF vota para derrubar prisão especial para quem tem curso superior

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Maioria do STF vota para derrubar prisão especial para quem tem curso superior

6 ministros já votaram para suspender o artigo do CPP

Crédito: Nelson Jr./SCO/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) já formou maioria de votos para derrubar a prisão especial para quem tem curso superior. A votação será encerrada nesta sexta-feira (31).

A questão é julgada no plenário virtual, modalidade na qual os ministros inserem os votos diretamente no sistema e não há deliberação presencial.

Os seis ministros da Corte que já votaram foram favoráveis a suspender o artigo do Código de Processo Penal (CPP) que estabeleceu a medida.

A maioria de votos foi formada a partir do entendimento do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação protocolada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR defende que a discriminação por nível de instrução contribui para perpetuar a seletividade do sistema de justiça criminal e reafirma "a desigualdade, a falta de solidariedade e a discriminação".

Para Moraes, o dispositivo que garante a prisão especial para quem tem diploma universitário não é compatível com a Constituição Federal de 1988 (o texto original do CPP é de 1941).

O ministro afirmou também, em seu voto, que não há justificativa razoável, com fundamento constitucional, para a distinção de tratamento com base no grau de instrução acadêmica.

Artigo 295 do CPP

Segundo o artigo 295, inciso VII, do CPP, pessoas com curso superior de qualquer faculdade brasileira têm direito à pressão especial, não podendo ficar em uma cela "comum", com os demais detentos.

"A extensão da prisão especial a essas pessoas caracteriza verdadeiro privilégio que, em última análise, materializa a desigualdade social e o viés seletivo do direito penal", afirmou o relator em seu voto.

Moraes também afirmou que o artigo "malfere preceito fundamental da Constituição que assegura a igualdade entre todos na lei e perante a lei".

O voto já foi seguido pelos ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Edson Fachin, Rosa Weber e Cármen Lúcia. 

 

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