Detentos são qualificados para voltar ao mercado de trabalho em Feira de Santana

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Detentos são qualificados para voltar ao mercado de trabalho em Feira de Santana

75 reeducandos do presídio foram cerificados

Crédito: Mário Sepúlveda/FE

Na terça-feira (27), no auditório do Conjunto Penal de Feira de Santana aconteceu cerimônia do "Projeto Reescrevendo o Amanhã" com o objetivo de emitir certificação de 75 reeducandos do presídio. O evento contou com a presença de secretários de Estado (SEAP, SETRE) que através de parcerias apoiaram o projeto e promovem curso de designer de sobrancelhas (mulheres e público LGBTQIAP+), manutenção de ar condicionado e técnica agrícolas com compostagem orgânica. 

Osvaldo Júnior, presidente da Associação Central de Cidadania, disse que o trabalho em presídio se tornou um dos principais focos de ação da entidade.

"Nossa instituição presta serviço de inclusão através da Secretaria de Trabalho Empresa e Renda do governo do Estado da Bahia e tem prestado um importante serviço de inclusão de pessoas no trabalho. Fomos desenvolvendo o trabalho dentro do presídio e hoje, é a culminância deste projeto. Hoje, entregamos esses certificados aos mais de 70 internos que foram devidamente capacitados em ações de absoluta relevância quando saírem daqui. Uma das preocupações que tivemos foi exatamente dar capacitações para quando saírem daqui. A sociedade brasileira/feirense precisa entender que essas pessoas precisam de oportunidade, pois foram julgados, pagaram pelo erro e deverão voltar a sociedade com retorno do seu trabalho".

Selma Glória, representante dos Direitos Humanos na Bahia, que é defensora pública, ressalta a importância do entendimento das unidades prisionais em abraçar projetos como o Reescrevendo o Amanhã. "É muito interessante ver o interesse público em dar formação profissional para as pessoas que estão em custódia. Uma das principais funções da pena é a ressocialização e a gente recebe com muita satisfação mais essa iniciativa da SEAP que inclusive está disponibilizando o apoio da Defensoria pública para toda e qualquer ação que seja benéfica ao crescimento profissional dos custodiados. Nossa parceria com Conjunto Penal há muitos anos, desde que ingressei na defensoria pública eu atuo no conjunto penal, sempre muito bem recebida e essas iniciativas nos trazem imensa satisfação".

José Antônio Maia secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) diz que essa oportunidade é uma base do governo, ou seja, todo projeto do estado é voltado para ressocialização.

"Aquela sociedade que prendia e que lá deixava como se fosse apenas um penitente cumpridor de pena, não é mais assim. A humanização hoje toma conta, desde a promulgação da Lei Execução Penal, que a organização vem tomando conta do ambiente carcerário. O governador Jerônimo que tem um projeto de governo voltado ao social e para o ente humano vem retomando a pujança da ressocialização. Todos os detentos que recebem aceitam as oportunidades, a não ser aqueles que têm ligações com organizações criminosas que tem outro regramento. Há uma pesquisa internacional, inclusive, com dados da ONU, que a humanização e ressocialização traz benefícios para comunidade. Na Bahia todas as unidades prisionais oferecem não só esses cursos como uma gama de outros. Em Itabuna temos mais de 30 internos cursando universidade EAD e 600 estudando. É uma realidade que se consolida a cada dia", defende.

José Freitas Júnior, diretor do Conjunto Penal de Feira de Santana, destaca as parcerias que a entidade fez ao longo desse ano de gestão. A Associação pela Cidadania (ACC) vem nos ajudando e muito com essa parceria de tentar capacitar os apenados, porque é uma preocupação de como eles vão chegar na sociedade no dia da liberdade. Precisamos melhorar o conhecimento e a capacitação para que eles possam disputar o mercado de trabalho externo. Hoje 100 apenados concluíram os cursos, mas 75 deles, que foram certificados, conseguiram galgar a liberdade. Está por vir novos cursos com a ACC e o secretário José Antônio sinalizou que vai assinar o acordo de cooperação técnica novamente com a Secretaria de Trabalho Emprego e Renda", conta.

Um interno que preferiu manter a identidade resguardada, avalia o projeto como uma segunda chance. "Avalio como uma nova esperança de um novo rumo. A maioria das pessoas quando chegam aqui, se sentem muito acuadas, com a vida terminada e isso é um novo recomeço. Uma nova profissão, uma nova vida, mostra que a vida não acaba aqui e que podemos sim ter ainda um futuro promissor", comenta.
 

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