Encontro formativo debate educação sexual, ISTs e HIV e reforça ações do Dezembro Vermelho
A atividade foi conduzida pelo educador e comunicador Ítalo Ribeiro da Costa
Na manhã desta sexta-feira (28), profissionais de saúde participaram do Encontro Formativo do Projeto Bixcoitando na Pista – entre redes e ruas, realizado no auditório da Unifacs, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde. A atividade foi conduzida pelo educador e comunicador Ítalo Ribeiro da Costa.
Com o tema "Quebrando tabus e barreiras para a educação sexual, ISTs e HIV do físico ao digital – Programa de biXcoitagem contra o estigma", o encontro buscou ampliar o debate sobre prevenção, enfrentamento ao estigma e qualificação da assistência prestada à população.
Utilizando uma linguagem acessível e descontraída — "estratégia para alcançar diferentes públicos e promover informação de forma leve e transformadora" — Ítalo, que vive com HIV, relatou que também enfrentou estigmas relacionados à sexualidade e ao diagnóstico.
"Infelizmente, mesmo com tanta tecnologia, muitas pessoas ainda olham pra gente com repúdio, com nojo. Uso as redes sociais para quebrar esse estigma e para conectar a juventude, que é a população mais vulnerável", afirmou. Segundo ele, as plataformas digitais são ferramentas potentes para a comunicação em saúde e podem transformar a educação sexual.
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Durante a formação, Ítalo destacou a necessidade de falar de sexualidade de maneira aberta. "Não tem como falar de prevenção sem antes falar sobre sexo", disse.
A chefe de Controle Epidemiológico, Verena Leal, ressaltou que o evento coloca em discussão um tema ainda permeado por tabus — tanto entre usuários quanto entre profissionais. Ela destacou que, além de oferecer conteúdo técnico e científico, a formação busca "desmistificar e enfrentar o preconceito que ainda envolve as Infecções Sexualmente Transmissíveis".
De acordo com Verena, a iniciativa integra também a programação do Dezembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre o HIV. Ela lembrou que ações já estão em andamento, incluindo atividades em parceria com a Associação das Pessoas que Convivem com HIV e Aids.
"Embora o tema seja trabalhado há muitos anos, ainda há pontos que precisam ser desconstruídos para avançarmos na qualificação do cuidado", afirmou.
A coordenadora do Centro de Referência Municipal DST/HIV/Aids, Vanessa Sampaio, reforçou a importância de manter o debate ativo e destacou que o estigma continua sendo uma barreira significativa para o diagnóstico e o tratamento. "O medo do preconceito faz com que muitas pessoas evitem até mesmo realizar o teste. É algo que vemos no dia a dia", disse.
Para Vanessa, falar de HIV com naturalidade é essencial tanto para a prevenção quanto para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem com o vírus. Ela comparou o teste a exames rotineiros, como aferição de pressão ou glicemia, que não carregam peso emocional. "Quando falamos em HIV, tudo muda. Esse peso nasce do preconceito", observou.
A programação segue no domingo (30), quando Ítalo Ribeiro apresentará um stand up aberto ao público, no CUCA, utilizando o humor para abordar temas relacionados ao HIV e às ISTs.
ACOLHIMENTO NO SERVIÇO
Representando o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, o diretor da Rede Própria, Sebastião Oliveira, destacou que o encontro é uma oportunidade de aprimorar práticas de acolhimento nos serviços públicos. Segundo ele, o acolhimento é o principal instrumento para garantir que a população se sinta segura ao acessar cuidados, tratamentos e ações preventivas.
Sebastião chamou atenção para o impacto das atitudes — inclusive as não verbais — no vínculo entre profissional e usuário. "O usuário não está ali para saber o que você pensa sobre a vida dele, mas para buscar apoio e estratégias de cuidado", afirmou.
Ele reforçou que cabe aos profissionais oferecer atendimento integral e livre de julgamentos. "O papel do profissional não é julgar comportamentos, crenças ou escolhas pessoais. As pessoas têm suas vidas e precisam ser cuidadas", concluiu.
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