Butantan sugere novo anticorpo a ser usado para picadas de cobras

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Butantan sugere novo anticorpo a ser usado para picadas de cobras

Terapia alternativa visa ampliar o acesso a tratamentos para acidentes antiofídicos

Crédito: Davi Pina Barros/Comunicação Butantan

O Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, é conhecido mundialmente pela produção de soros antiofídicos, usados para o tratamento de picadas de serpentes. Agora, o Instituto está trabalhando em um novo medicamento, feito a partir de anticorpos monoclonais (mAbs), que poderia ser usado como terapia alternativa em casos extremos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5 milhões de pessoas são afetadas por acidentes ofídicos a cada ano. No Brasil, a produção de soros hiperimunes equinos do Butantan salva anualmente cerca de 30 mil.

Mas existe um problema: a maioria dos casos de picada de cobra peçonhenta ocorre em comunidades remotas, muitas delas afastadas de grandes centros e sem acesso à energia elétrica. Isso dificulta o acesso ao soro, que precisa ser utilizado em até 48h após o acidente, deve ser armazenado sob refrigeração, exige administração via endovenosa e deve ser aplicado por profissionais da saúde.

Para ampliar as possibilidades de tratamento, o pesquisador do Butantan Wilmar Dias da Silva, em colaboração com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, participou do desenvolvimento de hibridomas (células de replicação contínua) produtores de mAbs contra as toxinas do veneno da jararaca (Bothrops) e da serpente africana biúta (Bitis arietans).

No que consiste a pesquisa

Podendo ser de origem humana ou animal, os mAbs são produzidos por um único linfócito B, que é clonado e imortalizado para produzir sempre os mesmos anticorpos.

Segundo uma revisão publicada pelo Butantan na revista Toxins, os anticorpos monoclonais podem ser usados para produzir antivenenos específicos para neutralizar as principais toxinas da peçonha, servindo como uma terapia alternativa.

Uma das principais vantagens desse estudo é a possibilidade de criar um único coquetel de anticorpos específicos para diferentes classes de toxinas. Outro ponto positivo é a redução do uso de animais e, em longo prazo, do custo de produção. "Os camundongos são utilizados apenas no início do processo para obter os hibridomas. Depois que essas células são transformadas, basta cloná-las com ferramentas de biotecnologia", explica a pesquisadora Sonia Andrade Chudzinski, que participa do estudo.

Nesse momento, em colaboração com a pesquisadora Ana Moro, Sonia está conduzindo testes de inibição in vitro dos mAbs contra as toxinas, analisando a eficácia dos anticorpos separadamente para, em seguida, analisar o coquetel. As próximas etapas da pesquisa incluem a caracterização bioquímica dos anticorpos e ensaios in vivo. 

 

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Segunda, 26 Fevereiro 2024

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