Período chuvoso exige cuidados contra leptospirose

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Período chuvoso exige cuidados contra leptospirose

Médico veterinário recomenda cuidados à população 

Crédito: Divulgação
Considerada epidêmica pelo Ministério da Saúde em períodos chuvosos, a leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (especialmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira.

Segundo o médico veterinário Raphael Castro, o agravamento da contaminação em épocas de chuvas se dá devido aos alagamentos e enchentes, associadas às condições inadequadas de saneamento.

"As chuvas podem contribuir para maior ocorrência de leptospirose na população por levar a bactéria (Leptospira spp) ao contato com as pessoas, que pode ficar abrigada nos rins de diversos animais, principalmente de ratos (camundongos, ratazanas ou rato do telhado). Cães, gatos, bovinos, equinos e outros animais de produção também são reservatórios para essa bactéria", informa o especialista.

O doutor em Engenharia Biomédica e Sanitarista especialista em Saúde Pública explica que, nos ratos, a doença não ocorre, mas eles disseminam as bactérias através da urina, contaminando a água, o solo e até mesmo alimentos.

"Nas cidades, eles habitam as tubulações de esgoto e de águas pluviais, terrenos baldios ou sem limpeza ou com entulhos, abrigos próximos às residências ou em seu interior, telhados, e diversos outros locais, principalmente se houver oferta de alimentos acessíveis. Como o controle populacional desses animais não é um trabalho simples, podemos facilmente observar áreas urbanas onde sua população é bastante elevada, como os centros comerciais e as periferias das cidades. Nessas localidades, o acúmulo de lixo serve de atrativo por representar fonte ou oferta de alimentos ou abrigo, contribuindo para a concentração desses animais nessas áreas", destaca o profissional.

Como ocorre a contaminação?

As dificuldades com a drenagem e escoamento de águas pluviais nos centros urbanos permitem o acúmulo de águas das chuvas, que, em contato com a urina de ratos infectados presentes nas tubulações, levam as bactérias para a superfície e expõem a população a condições de maior risco, segundo Raphael Castro.

"Além disso, a baixa qualidade do saneamento básico e da coleta e tratamento de esgoto, que por vezes corre a céu aberto, permitem o contato direto das pessoas, inclusive de crianças que utilizam o espaço para brincar, com a água e solo potencialmente contaminados".

Estar em contato com a água proveniente de alagamento fragiliza as barreiras cutâneas dos seres humanos, diz o médico veterinário, facilitando a penetração da bactéria causadora da leptospirose, mesmo sem qualquer lesão de pele.

"Uma vez que a bactéria penetra em nosso corpo, ela pode demorar até 30 dias para causar os primeiros sintomas, porém, isso ocorre de 5 a 14 dias em média. Os quadros clínicos variam de formas leves até fulminantes. Cerca de 90% dos infectados iniciam com manifestação abrupta de febre, seguida por dores de cabeça, dores musculares, perda de apetite, náuseas e vômitos. A leptospirose pode ser confundida com muitas outras doenças e a suspeita precoce e o rápido diagnóstico favorecem o sucesso no tratamento, por isso a importância de se procurar imediatamente uma unidade de saúde, caso surja algum dos sintomas, principalmente se houver histórico de contato com água potencialmente contaminada", destaca.

Atuando na prevenção

Raphael Castro destaca cinco medidas preventivas importantes contra a doença:

1 - Evitar entrar em contato ou permanecer por longo período em águas de alagamentos, transbordamentos ou enchentes;

2 - Manter quintais e terrenos limpos, livres de entulhos, limitando as oportunidades para que os ratos façam abrigo e formem colônias;

3 - Armazenar e descartar o lixo doméstico em locais protegidos e longe do alcance de animais, inclusive de seu acesso por roedores;

4 - Acondicionar a alimentação dos animais domésticos, como cães e gatos, em locais protegidos e não deixar ração em excesso nos vasilhames de alimentação destes animais, evitando serem utilizados como alimentos pelos ratos;

5 - Higienizar previamente embalagens de alimentos enlatados, engarrafados ou envasados, pois podem ter sido expostos a condições que tenham permitido o acesso de ratos nesses espaços.

"Além disso, por parte do Poder Público também é importante estar atento à coleta regular de resíduos sólidos urbanos e sua destinação ou tratamento sanitário adequado; à capina ou limpeza de terrenos baldios, praças, imóveis abandonados ou qualquer outro ambiente que oferte abrigos aos roedores; à limpeza constante das vias públicas, bueiros, tubulações e galerias de águas pluviais, para uma adequada drenagem das águas das chuvas; à limpeza de córregos, ribeirões ou outros leitos, que devem ser feitas previamente ao período chuvoso; entre outras ações", enfatiza. 

 

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Sábado, 20 Abril 2024

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