Banda feirense Ucalundu estreia com single 'Cegueira'; ouça

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Banda feirense Ucalundu estreia com single 'Cegueira'; ouça

Música te participação de Lirinha, do 'Cordel do Fogo Encantado' 

Crédito: Divulgação
"Cegueira" é a música que deu origem à banda de Feira de Santana Ucalundu e é também a música de estreia. Com participação especial do pernambucano Lirinha, o single sai pelo selo feirense Banana Atômica e trata da dualidade de ver o outro, mas não enxergar. Quem explica melhor é o vocalista e criador do projeto, o poeta Zecalu:

"A letra fala sobre o fim de uma história, de um amor, a partir da ideia do 'não enxergar'. Fala de uma suposta 'cegueira' de alguém em não perceber o outro e, por isso, a menção às doenças dos olhos, como uma metáfora dos olhos da alma. Música e a letra foram criadas enquanto eu bebia Ayahuasca, vivendo um momento pessoal conturbado e tentando a salvação de um relacionamento. Embora ela carregue um misto de mágoa e libertação em relação à outra parte da história, na verdade, com o tempo e outras experiências, eu percebi que ela fala da minha própria 'cegueira', como se um lado meu falasse pra outro, num espelho, daquilo que eu mesmo não enxergo em mim. No fim, ela fala daquilo que cada um quiser (ou não) enxergar", comenta. 

A música vai ao encontro também com o significado do nome da banda, que vem do termo "calundu", termo esse que virou uma gíria baiana pra os estados de birra, introspecção, dor, mau humor. Porém, originalmente, representa um ritual antigo de cura, de matriz africana, que se utilizava de diversos elementos, dentre eles, a dança e a música, justamente para tratar as pessoas que à época encontravam-se nesses estados, mas que não tinham um diagnóstico médico. Daí, inclusive, o surgimento da gíria, pois quem participava do ritual era reconhecido nas ruas como sendo "de calundu".

O convite para Lirinha aconteceu de maneira bem natural, a partir do surgimento de uma "amizade à distância' e a ajuda de alguns amigos artistas e produtores culturais.

"Com o passar do tempo, acabei me aproximando de Lirinha por várias conexões, seja por ir a vários shows do Cordel do Fogo Encantado e também da sua carreira solo e sempre conversarmos depois das apresentações, seja por amigos em comum e também pelo fato dele saber que eu fui criado na cidade de Uauá, Sertão de Canudos, sempre me tratando com um carinho especial, inclusive, só me chamando de 'Uauá'. E duas curiosidades dessa história: a primeira, é que eu havia composto uma outra música, chamada 'resto' , que também vai entrar no nosso álbum, e tinha pensado em mandar pra ele ouvir e ver se curtia e se interessava em gravar. Na época, o Cordel havia acabado e ele estava fazendo um trabalho solo que eu achei que tinha a ver com aquela ideia. Porém, no dia que compus 'cegueira', tive um insight, uma forte intuição e decidi que aquela música seria o marco inicial da realização desse sonho de ter um projeto musical e que deveria chamar Lira pra participar como convidado. Outra coisa engraçada é que depois de ouvir a música e aceitar participar, combinamos várias possibilidades dele gravar, chegando a ver estúdios em São Paulo e Recife, mas acabou não rolando. Por coincidência, ele acabou gravando a participação em Uauá", se diverte Zecalu.

O álbum em questão é primeiro do projeto, previsto para sair em 2022. Ucalundu começou a nascer em 2015 e depois de algumas tentativas de formações, hoje é composto por Luyd Andrade (guitarra), Tito Pereira (piano, sintetizadores e voz), Flaviano Gallo (bateria e voz), Ivan Santos (baixo) e o próprio Zecalu (voz e composições).

 

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Sexta, 28 Janeiro 2022

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