Neném do Acordeon revela os desafios e alegrias da carreira artista no forró

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Neném do Acordeon revela os desafios e alegrias da carreira artista no forró

O cantor conta do preparo para o São João e da sua trajetória artística.

Foto: Reginaldo Júnior / Radio Geral

O musicista Neném do Acordeon foi o terceiro entrevistado da série especial de matérias com artistas forrozeiros. Sanfoneiro veterano nos festejos juninos, o artista falou sobre sua trajetória no mundo do forró, sobre a carreira, e sua agenda agitada de arrasta pé com seu forró tradicional.

"Essa época é tudo pra gente! A gente se prepara o ano inteiro para esse momento e quando se põe a sanfona no peito, fica tudo lindo e maravilhoso. Todo o tempo quando houver pra mim é pouco pra dançar com meu benzinho numa sala de reboco', numa referência a Luiz Gonzaga, o grande rei. E viva o São João! Costumo dizer que o São João é a apoteose brasileira. A maior expressividade cultural do mundo, precisamos enfatizar isso e valorizar. O São João tem uma música, uma culinária, uma bebida e uma indumentária. Mostre outro evento que tenha tudo isso. Não existe! Estou falando da Bahia, com 417 municípios que comemora todos os festejos juninos: São João, São José e São Pedro. Isso é nosso, do Nordeste, do Brasil e precisamos valorizar isso. Eu luto pelo forró, querem nivelar a gente a zero, mas a gente luta e resiste ", declara o músico, que salienta que para falar em forró, obrigatoriamente é preciso citar de Luiz Gonzaga.

O músico, natural de Jaguara, Feira de Santana, é um forrozeiro tradicional que toca de ouvido (reconhecer as notas sem partitura). Para ele, a sanfona é a grande representação da cultura nordestina, e não pode ser deixada de lado. Neném do Acordeon se descreve como um sujeito simples de Jaguara, filho de parteira que começou na música desde a idade de 11 anos, quando tocava violão com o pai que também era músico.

"Minha trajetória até a sanfona, eu era violonista e eu tocava com ele, Zé de Alice, no distrito de Jaguara todo, naquelas festas que começavam 10 da noite e parava só com o sol lá fora. Eu era menino e aquele monte de gente achando bonito um menino pequeno, ficavam em cima de mim e eu abaixava a cabeça com vergonha. Quando dava 1 hora da manhã e eu cansava, dormia por lá. Depois fui ser guitarrista de banda de baile aqui, mas naquela época dos anos 80/90, tinha muita dificuldade com tecladista. Um belo dia fui tocar no Limoeiro, onde tinha gente para caramba e o tecladista disse que não ia e eu disse aos meninos que iria no lugar. Eu peguei aquelas etiquetas de marca preço e marquei as notas no teclado, toquei e dali pra cá, virei tecladista. Toquei com muitos músicos bons, dei sorte, toquei com os melhores e absorvi. Artistas bons de Feira de Santana como Paulo Bindá e Cescé, Márcia Porto, Djalma, Timbaúba, entre outros", diz.

Superação

Para o artista a sanfona é mais do que um instrumento musical, é a consolidação de um sonho e de muita superação.

"Quando a Sanfona chegou na minha vida, eu costumo dizer que foi coisa de Deus. Em 1998 eu sofri um grave acidente de carro, com fratura exposta. Coloquei duas placas de platina e 12 pinos e eu pensei que o sonho de tocar sanfona já não aconteceria mais. Depois fui à Expofeira e vi Flávio José tocando e pensei que teria que dar um jeito. Encontrei o cara que me deu a primeira sanfona, tentei e não incomodou o braço do acidente, mas eu não conseguia. Até que fiquei lutando, tentando e deu certo. Estudei em casa em segredo um ano e um dia anunciei aos colegas que tocava. A sanfona foi o começo da minha vida, na música a sanfona para mim é tudo é um instrumento muito difícil, mas é muito prazeroso", relembra.

Histórias de festejos

"Uma vez fui tocar em Pintadas, estava marcado para tocar 2 horas da manhã, mas só comecei com o sol nascendo. Eu pensei, que não iria ficar ninguém e que eu tocaria só para as muriçocas. Para minha surpresa, não foi assim. Só parei de tocar as 7:40h, com um sol alto rachando e o comandante da polícia pedindo para parar. Se eu continuasse tocando, o pessoal continuaria o dia todo, ninguém ia sair", conta

Forró

Para Neném forró no Nordeste conta com a sazonalidade das festas juninas, quando deveria ter espaço o ano inteiro, como acontece em outras partes.

"Hoje eu vejo forró com seu espaço, não só aqui no Nordeste. Há uma inversão de valores, pois no Sudeste tem forró o ano inteiro e aqui a gente toca mais na época junina. Nos outros dias até tocamos, mas não com o espaço que deveríamos".

Agenda

Apesar de ter uma agenda intensa de shows pelo estado, o músico está entre as atrações do São João 2024 de Feira de Santana, realizado nos distritos de São e Maria Quitéria.

"Expectativa muito grande! Vamos rodar o estado todo. Estaremos em Pintadas, Tanquinho, Irará, Antônio Cardoso, Ipecaetá, Feira de Santana, lógico, pois não poderíamos deixar de fora. No Pelourinho em salvador entre outras localidades", conta.

 

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Domingo, 14 Julho 2024

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