Bahia busca confirmar classificação apesar de vantagem considerada perigosa
Histórico favorável contrasta com alerta de Rogério Ceni sobre desempenho
O Bahia chega ao jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil com uma vantagem estatisticamente promissora, mas esportivamente incômoda. A vitória por 3 a 2 sobre o Retrô, na Fonte Nova, garantiu ao Tricolor o direito de jogar pelo empate na Arena Pernambuco. O retrospecto na competição respalda o otimismo: em 11 das 13 vezes em que iniciou o mata-mata vencendo por um gol de diferença, o clube avançou. Ainda assim, a atuação irregular contra o vice-lanterna da Série C gerou vaias e abriu espaço para dúvidas.
Do ponto de vista estratégico, o recorte é menos confortável do que o número sugere. Em cenários semelhantes, quando abriu vantagem mínima atuando como mandante, o Bahia só confirmou a vaga em metade das oportunidades. A missão de Rogério Ceni, portanto, é dupla: proteger o resultado sem abdicar do protagonismo ofensivo, ajustando uma defesa que sofreu dois gols em casa e poderia ter sido ainda mais vazada. A exigência é de um time compacto, capaz de suportar eventuais avanços do Retrô sem perder capacidade de contra-atacar — algo que, nesta edição da Copa, tem sido um diferencial.
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O desfecho desta quarta-feira moldará mais do que a campanha atual. Uma classificação reforçará a imagem de consistência em mata-matas e sustentará o clima interno num elenco ainda em fase de assimilação das ideias de Ceni. Já uma eliminação — sobretudo para um adversário de menor expressão nacional — traria repercussões políticas e esportivas, com pressão sobre diretoria, comissão técnica e até sobre a estratégia de contratações para o segundo semestre. Não à toa, o treinador falou em "dever" de avançar, reconhecendo a carga simbólica da partida.
É preciso reconhecer que vantagem curta é faca de dois gumes, e o Bahia de 2025 ainda alterna momentos de controle e instabilidade. O desafio não é apenas segurar o placar, mas impor-se como clube que dita o ritmo independentemente do contexto. Como se diz na Bahia, "quem quer comer do pirão tem que mexer a panela" — e, no caso tricolor, a receita para evitar sustos passa por atenção plena e execução precisa, do apito inicial ao último minuto em Pernambuco.
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