Lamela encerra carreira precoce e expõe dor invisível no futebol
Argentino de 33 anos admite desgaste físico crônico e aceita aposentadoria inevitável
Erik Lamela anunciou em agosto o fim de uma trajetória de mais de uma década no futebol europeu, interrompida pelas dores persistentes no quadril. O argentino de 33 anos, vencedor do Prêmio Puskás de 2021, revelou em entrevista que convive com desgaste de cartilagem e osteoartrite avançada desde os 22, condição que o obrigou a múltiplas adaptações ao longo da carreira. Com passagens por River Plate, Tottenham, Sevilla e AEK, o meia-atacante somou 257 jogos e 37 gols pelo clube inglês, mas nos últimos anos já não suportava treinos regulares sem comprometer sua presença em campo.
Do ponto de vista técnico, Lamela foi um jogador de recurso criativo raro, marcado por dribles improvisados e gols de execução incomum. Seu famoso tento de letra no clássico contra o Arsenal, em 2021, simbolizou um estilo que resistia à previsibilidade. Ainda assim, sua trajetória acabou sendo definida mais pelas ausências do que pelos brilhos. As cirurgias precoces e a limitação física moldaram um atleta obrigado a reinventar-se continuamente, sem jamais alcançar a regularidade que sua formação no River e sua chegada à Premier League prometeram.
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As consequências da aposentadoria transcendem o indivíduo. O caso de Lamela revela um padrão cada vez mais recorrente em 2025: carreiras interrompidas não por lesões traumáticas, mas pelo acúmulo invisível do esforço repetitivo. Em um calendário global que se expande sem considerar limites biológicos, jogadores de elite se veem reduzidos à condição de sobreviventes. Ao aceitar um posto de auxiliar-técnico no Sevilla, Lamela não apenas prolonga seu vínculo com o futebol, mas sinaliza o caminho natural de transição para uma geração que se despede cedo demais.
A leitura crítica é inevitável. O brilho fugaz de Lamela denuncia o paradoxo do futebol moderno: exige-se espetáculo contínuo, mas sacrifica-se a durabilidade dos protagonistas. A idolatria ao gol improvável não pode apagar a reflexão sobre como o sistema desgasta seus artistas até a exaustão. A aposentadoria aos 33, com dores que começaram dez anos antes, deveria acender um alerta. Mas no ciclo voraz de 2025, em que jogos e transmissões valem mais do que o corpo humano, dificilmente haverá espaço para essa pausa reflexiva. Lamela deixa o campo, mas a ferida estrutural continua aberta.
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