Portões fechados transformam Paulistão Sub-11 e Sub-12 dramaticamente
Federação reage ao aumento de agressões e busca disciplina imediata nos jogos
O Paulistão Sub-11 e Sub-12 de 2025 atravessa um momento delicado. Entre janeiro e agosto, a Federação Paulista de Futebol registrou 46 incidentes envolvendo torcedores, superando os 34 do ano anterior. As ocorrências incluem arremesso de objetos, ofensas raciais e homofóbicas, e até a presença de armas de fogo em estádios destinados a crianças. Diante desse quadro, a entidade determinou portões fechados para as rodadas 16 e 17, uma medida educativa respaldada pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, que visa reduzir riscos e preservar o ambiente esportivo para os atletas mirins.
O problema não é apenas disciplinar, mas estrutural. Pais e familiares, historicamente incentivadores, tornaram-se agentes de violência, comprometendo o desenvolvimento técnico e emocional das crianças. A decisão da FPF sinaliza uma tentativa de restaurar o equilíbrio estratégico do campeonato, garantindo que partidas sejam conduzidas sob regras de segurança e respeito, enquanto reforça a autoridade da arbitragem frente a interferências externas. Taticamente, clubes menores, que dependem da torcida como estímulo, podem sofrer impacto psicológico e logístico, exigindo adaptação rápida a arquibancadas silenciosas.
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A longo prazo, a medida tende a redefinir a cultura do futebol de base em São Paulo. Por um lado, protege jovens atletas e fomenta um ambiente mais saudável; por outro, expõe a necessidade de campanhas de conscientização permanentes e fiscalização rigorosa. O efeito imediato sobre a competitividade é misto: times acostumados a pressão da torcida podem sentir queda de desempenho, enquanto clubes mais estruturados, focados em formação, têm espaço para consolidar talentos sem interferência externa.
A postura da Federação é correta e necessária, mas apenas um passo inicial. A violência não desaparece com portões fechados; exige educação esportiva, penalidades efetivas e responsabilidade parental. A ironia é que o futebol, prática que deveria ensinar disciplina e coletividade, reflete em seus estádios a fragilidade do próprio tecido social. Ignorar esse contexto seria permitir que crianças cresçam absorvendo a agressividade de adultos, corroendo a essência formativa do esporte.
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