Falência em órgãos, desmaios e sangramentos: veja sintomas da dengue que podem levar à morte

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Falência em órgãos, desmaios e sangramentos: veja sintomas da dengue que podem levar à morte

 4 mortes já foram registradas em Feira.

Foto: Frame EBC

A epidemia de dengue em Feira de Santana, assim como em todo o país, mantém a população e as autoridades de saúde em alerta, sobretudo diante do aumento de outras viroses, como a gripe e a covid-19.

Até a última segunda-feira (29), foram confirmados 2.257 casos da dengue em Feira de Santana, sendo 4 mortes. Humildes, Mangabeira e o Tomba são os locais da cidade com maior número de notificações.

Em entrevista ao Folha do Estado, a infectologista Melissa Falcão alertou para o alto número de casos de dengue registrados na Bahia em 2024, por isso é importante que toda a população tenha conhecimento sobre todos os sintomas e situações que podem levar o paciente ao agravamento da doença e até mesmo a morte.

"A primeira manifestação, normalmente, é uma febre que pode chegar até aos 40 graus, que dura cerca de 2 a 7 dias, associada a muita dor muscular, dor ao redor dos olhos, dor de cabeça, enjoo, vômito, dores nas articulações, e pode aparecer uma vermelhidão no corpo com coceira. Esses são os sintomas clássicos da dengue."

Já os sinais de alarme indicam que pode ter um agravamento e precisar de internamento imediato. 

"Esses sinais de alarme são: dor forte na barriga, presença de vômitos frequentes, acúmulo de líquidos, que podem ser verificados pelo profissional de saúde e podem acumular na barriga, no pulmão e no coração, desmaios, baixa importante da pressão, aumento do fígado, sangramento de mucosas, como nariz e gengivas, irritabilidade ou letargia", elencou.

Foto: Reprodução/ Secom

Conforme a infectologista ao Folha do Estado, o termo 'dengue grave' veio em substituição ao termo 'dengue hemorrágica', uma vez que muitos pacientes podem vir a óbito sem que tenham tido qualquer tipo de sangramento. 

"As formas graves da dengue podem vir por um choque, uma baixa importante da pressão, insuficiência de qualquer órgão, que pode ser o cérebro, o coração, o rim, ou por uma forma de sangramento, que associados podem elevar o risco de morte.

Plaquetas baixas

Existe uma preocupação muito grande da população e até mesmo dos profissionais de saúde em relação às plaquetas na dengue, mas, de acordo com Melissa Falcão, o novo manual do Ministério da Saúde publicado em 2024 aponta que o mais importante a ser observado na dengue não são as plaquetas e sim os hematócritos (hemácias) na concentração do sangue.

"A dengue pode levar a perda de líquidos, desidratação e com isso acaba aumentando a concentração destes no sangue, diminuindo a quantidade de urina e levar a uma insuficiência renal."

A médica explicou que é considerado normal o número de plaquetas acima de 50 mil no sangue, mas na dengue elas costumam baixar.

"Elas baixam geralmente de um a dois dias após a melhora da febre, por isso sempre é importante procurar uma avaliação médica. As plaquetas não estão mais baixas agora do que víamos anteriormente, mas diante do quantitativo de pessoas que estão tendo dengue no país em 2024, o número de pessoas com dengue e plaquetas baixas é maior. Como podemos ter dengue até quatro vezes durante a vida, cada vez que nos reinfectamos por vírus da dengue, a chance de ter sinal de alarme e gravidade, e ter complicações de morte pela doença aumenta", esclareceu.

Ingestão de líquidos

Nos primeiros sinais de que pode estar com dengue, a população precisa começar a se hidratar e evitar a automedicação, com uso de medicamentos antiinflamatórios.

"É preciso tomar mais líquidos, a não ser que tenha alguma contraindicação como insuficiência renal grave ou cardíaca. Devem iniciar imediatamente aumento de líquidos de água, sucos, até chegar a uma unidade de saúde. O recomendado é 60 ml por quilo, mas isso vai ser orientado de uma maneira mais correta pelo profissional. Uma outra preocupação é que não se deve utilizar nenhum antiinflamatório, como ibuprofeno, naproxeno, caso haja suspeita de dengue, pois isso pode aumentar o risco de ter sangramento e insuficiência renal e aumentar a gravidade da doença."

Com a circulação simultânea no país de diversos vírus, muitas pessoas ficam em dúvida também de como diferenciar a dengue das demais viroses.

"Temos a covid, a influenza, que é a gripe comum, os vírus respiratórios sinciciais, causador da bronquiolite, principalmente nos recém-nascidos e em crianças pequenas, a dengue, a chikungunya, e a melhor maneira de diferenciar a dengue das demais viroses é através dos sintomas respiratórios, pois na dengue não costumamos ter sintomas respiratórios como nariz escorrendo, entupido, tosse, o que nos quadros virais respiratórios são muito frequentes."

Epidemia pode perdurar

De acordo com a médica infectologista Melissa Falcão, é possível que a epidemia de dengue persista no país até 2025, devido à reintrodução significativa do sorotipo 3 da doença após mais de 15 anos sem grande incidência na população.

"Existem 4 tipos de vírus da dengue: o 1, 2, 3 e 4. E a epidemia que estamos vivendo no Brasil nos últimos anos se deve mais ao sorotipo 1 e 2 da dengue. Recentemente, em 2023, vimos uma reintrodução em alguns estados do sorotipo 3 da dengue, que não víamos no país de maneira significativa há mais de 15 anos, isso significa que uma grande parte da nossa população, principalmente os mais jovens, nunca teve contato com esse tipo do vírus e a sua reintrodução no país permite que a epidemia da doença permaneça e que tenhamos ainda em 2025 um aumento ou continuação da epidemia", alertou. 

 

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Terça, 16 Julho 2024

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