Feira de Santana tem 567 pacientes aguardando na fila para transplante de rim

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Feira de Santana tem 567 pacientes aguardando na fila para transplante de rim

HDPA alçançou uma marca de três transplantes renais em menos de 60 horas 

Credito: Divulgação

O Hospital Dom Pedro de Alcântara, em Feira de Santana, alcançou uma marca de três transplantes renais em menos de 60 horas, realizados há aproximadamente 15 dias, contabilizando 373 procedimentos, um fato considerado positivo, pela coordenação de nefrologia da unidade hospitalar. No entanto ainda há muito a se fazer, pois de acordo com dados do setor, 567 pessoas estão na fila a espera de um rim novo.

A unidade é considerada a mais importante entidade filantrópica da região leste do Estado e mantém sua tradição na oferta de serviços de excelência na área de saúde a pacientes de mais de 100 municípios baianos e também se tornou referência em transplante renal.

Fernanda Albuquerque, coor- denadora do setor de nefrologia do HDPA, diz que o transplante renal é uma forma de tratamento da doença renal crônica, a melhor forma de tratar porque o paciente não vai depender de uma máquina. "Não terá tanta restrição alimentar, pode retomar as atividades da vida dele diárias, porque não depende de uma máquina para sobreviver. A qualidade de vida, pós transplante, é infinitamente maior. Antigamente a gente tinha muita dificuldade no transplante porque as famílias não entendiam o processo da doação. Quando um órgão de um ente querido é doado, é porque o paciente teve uma morte cerebral e não sobreviveria sem aparelhos", explica.

A médica detalha o sofrimento que cada paciente renal se submete para realizar a filtragem do sangue de forma artificial. "Eu costumo dizer, de forma lúdica, que os rins são como grandes filtros. Os filtros de água da nossa casa retiram impurezas da água e a gente bebe água limpa. Já o rim tira a impureza do sangue e joga fora na urina. Quando os rins param de funcionar, as impurezas ficam no sangue, então o paciente precisa fazer um tratamento que é a hemodiálise. Então, ele vai três vezes na semana, passa quatro horas em cada sessão para retirar as impurezas, mas isso não é o ideal, pois nosso rim funciona 24 horas por dia. O rim de quem faz hemodiálise é artificial e só funciona 4 vezes na semana, por 4 horas. Esses pacientes têm uma vida muito sofrida e limitada. Aqui em Feira, por exemplo, atende uma população de uma macrorregião enorme, tem pacientes que se deslo- cam por até 4 horas de viagem, 4 vezes por semana para fazer o tratamento, imaginem como é doloroso", diz.

CRITÉRIOS

De acordo com a coordenadora, o doador vivo deve ser parente de primeiro grau do receptor, pai, filhos, irmãos e que sempre obedece ao critério do doador ser mais velho que o receptor, porque às vezes existem algumas doenças renais que têm características familiares. "Então o doador pode não saber e já ter uma doença renal silenciosa. No Brasil só é permitido doações entre vivos entre familiares de primeiro grau, exceto marido e mulher, que não tem laços consanguíneos, mas tem laços matrimoniais e outras formas de doação precisa de autorização judicial. O doador falecido é o que teve a morte cerebral, sem o cérebro, nada funciona e a pessoa está ligada a aparelhos para estar viva e se desligar o aparelho, ela não sobrevive. A oferta de doador falecido tem aumentado muito no Brasil graças às campanhas das secretarias de saúde, centrais de transplantes aqui na Bahia têm feito um trabalho exaustivo dentro dos hospitais, capacitando equipes para reconhecer a morte encefálica e conversar com as famílias e sensibilizar para a doação. Existe um e-mail da central de regulação que, praticamente, tem oferta todo dia. Se eu tiver um doador na Bahia e não tiver um receptor, esse órgão vai para outro estado. Se a gente tiver capacidade de leito e puder aceitar as ofertas da Central, vamos conseguir ter transplante toda semana em Feira", detalha.

A médica conta que atualmente há 567 pacientes na fila aguardando na fila do transplant ee que o único hospital no estado que tem um número maior de pacientes em fila é o Ana Nery, em Salvador. "A gente precisa massificar o entendimento que não levaremos nada e já que o ente querido vai realmente partir, ele pode salvar a vida de alguém".

Pela primeira vez desde 1998, a fila de espera por um órgão no Brasil passou de 50 mil. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), em 2022 foram feitos 21,8 mil procedimentos, pouco mais da metade dos 40 mil trans- plantes necessários.

Embora o número de doadores esteja crescendo (atualmente são 16,5 por milhão de pessoas), ele ainda não voltou ao patamar pré-pandemia, com 18,1 por milhão de pessoas em 2019.

 

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