BA e PE: desarticulado esquema milionário de venda de armas e munições para facções

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BA e PE: desarticulado esquema milionário de venda de armas e munições para facções

Foram determinados 20 mandados de prisão e 33 de busca a apreensão nesta terça-feira (21).

19 mandados de prisão, mais uma prisão por porte ilegal de arma de fogo, e 33 de busca e apreensão foram cumpridos, na manhã desta terça-feira (21), durante a Operação 'Fogo Amigo', deflagrada pela Polícia Federal em parceria com outros órgãos de segurança nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas.

A operação conjunta investiga a participação de policiais militares da Bahia e Pernambuco, da ativa e afastados, em um esquema de venda ilegal de armas e munições para facções criminosas, das quais também faziam parte Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) e lojistas especializados na venda destes materiais.

Durante a ação, foram apreendidos dezenas de celulares e computadores. Todo o material será periciado para auxiliar nas investigações contra a organização criminosa.

Em Salvador, um lojista foi baleado e preso, no bairro São Gonçalo do Retiro, após entrar em confronto com os policiais. Segundo as investigações, ele teria realizado diversas encomendas em um período de 16 meses de armas de fogo, em sua maioria pistolas calibre 9 mm, além de um fuzil e milhares de munições.

Também na capital baiana, mais de 400 munições de fuzil foram apreendidas em uma residência. O proprietário do imóvel foi preso em Petrolina.

A operação 'Fogo Amigo' foi realizada nas cidades de Petrolina (PE), Juazeiro (BA), Santo Antônio de Jesus (BA), Porto Seguro (BA), Lauro de Freitas (BA), Salvador (BA), Arapiraca (AL) e Sanharó (PE). Participaram mais de 320 Policiais Federais, grupos táticos da PM/BA, PM/PE, PC/BA GAECO/BA, GAECO/PE e Exército.

De acordo com o Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF, Rodrigo Motta, em coletiva de imprensa, as investigações apontaram um grande desvio de armas para abastecer facções criminosas localizadas na cidade de Juazeiro e Salvador.

O delegado João Ricardo, da Força Correcional Especial Integrada (Force) da Bahia, destacou que essa investigação é decorrente de uma operação anterior que ocorreu em Juazeiro, também na época com a PF, em conjunto com outras forças policiais.

"Dessa operação conseguimos mais elementos demonstrando que existia uma organização criminosa maior por trás daquele tráfico de armas local, e a partir daí foi iniciada uma nova investigação com esse resultado que vimos hoje. Então, por se tratarem de policiais, sejam eles civis ou militares, a Secretaria de Segurança através da Corregedoria Geral tem atuado bastante em conjunto com todas as unidades, seja ela a PF, o Ministério Público através do Gaeco, e coordenando as unidades de força do estado: a Polícia Civil representada pela Core, e a Militar, através da Corregedoria Geral, afinal de contas tratam-se de militares da ativa e alguns também afastados", esclareceu.

Ele salientou que a investigação durou cerca de um ano, após o recebimento de denúncias de que uma facção criminosa que havia se instalado em Juazeiro e estaria recebendo armas e munições para cometer delitos graves na região, principalmente homicídios.

Foi deferido, ainda, o sequestro de bens e bloqueio de valores de até R$ 10 milhões dos investigados, além da suspensão da atividade econômica de três lojas que comercializavam material bélico de forma irregular.

Durante a deflagração da operação, o Exército Brasileiro realizou fiscalização em outras lojas que comercializam armas, munições e acessórios controlados nos municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Os investigados responderão pelos crimes de Organização Criminosa, Comercialização ilegal de armas e munições, Lavagem de Dinheiro e Falsidade Ideológica, cujas as penas somadas podem chegar a 35 anos de reclusão.

O nome da operação 'Fogo Amigo' faz alusão ao fato de que os policiais integrantes da organização criminosa vendem armas e munições de forma ilegal para criminosos faccionados e que acabam sendo utilizadas contras os próprios órgãos de segurança pública.

A Polícia Federal continuará a apuração, na tentativa de elucidar a real amplitude da suposta organização criminosa, bem como identificar outros integrantes.
Foto: Divulgação/ PF
Foto: Divulgação/ PF
Foto: Divulgação/ PF
 

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Sexta, 14 Junho 2024

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