Paiva chega ao Fortaleza para comandar o leão
Técnico português tenta redenção no Castelão após passagens turbulentas no Brasil
O anúncio de Renato Paiva no Fortaleza, com contrato até o final de 2026, sacode o cenário do futebol nordestino. A chegada do português ocorre em um momento delicado para o Leão do Pici, afundado na zona de rebaixamento do Brasileirão, com a urgência de uma reação imediata. Curiosamente, a estreia de Paiva será contra o Bahia, seu ex-clube em 2023, um reencontro que adiciona uma camada extra de dramaticidade a este início de trabalho. A justificativa do CEO Marcelo Paz para a escolha de Paiva, pautada em "conteúdo" e "conhecimento do futebol brasileiro", ecoa as apostas anteriores que nem sempre renderam os frutos esperados. Será a terceira equipe brasileira sob o comando de Paiva em pouco mais de dois anos, um ritmo que exige resultados rápidos e convincentes.
A análise técnica do histórico de Paiva no Brasil revela um treinador que, embora proponha um futebol de posse e transição, muitas vezes falhou em conciliar a filosofia com a solidez defensiva e a consistência tática. No Bahia, a irregularidade foi a marca, culminando em uma saída conturbada. No Botafogo, em 2025, a passagem foi breve e sem grandes feitos, gerando questionamentos sobre sua capacidade de adaptação às particularidades do Campeonato Brasileiro. O CEO do Fortaleza ressaltou o "repertório de trabalho" de Paiva, mas a verdade é que o futebol brasileiro exige mais do que apenas um plano de jogo: demanda jogo de cintura, resiliência e, sobretudo, a habilidade de engajar um elenco em momentos de pressão.
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A aposta em Paiva, para além das justificativas técnicas, parece um movimento de risco calculado. O Fortaleza, acostumado ao comando de Juan Pablo Vojvoda, precisará de uma transição suave, mas a urgência da tabela não permite muito tempo para experiências. Minha projeção é que Paiva terá que abdicar, ao menos em um primeiro momento, de parte de suas convicções mais puras para entregar resultados. A sobrevivência na Série A é a meta primordial, e isso, muitas vezes, significa ser mais pragmático do que idealista. O sucesso dependerá da capacidade do treinador de "comer um vatapá" com as exigências do futebol local, sem perder a identidade.
A janela de tempo concedida ao treinador pelo Fortaleza, até o final de 2026, indica uma crença no projeto a longo prazo, mas a realidade do Z-4 é implacável. Renato Paiva chega com a missão de reverter um cenário adverso e provar que, apesar das passagens anteriores, possui a maturidade e a capacidade de conduzir um clube brasileiro a águas mais tranquilas. O desafio é gigantesco, e a torcida tricolor, que já demonstrou paciência com projetos, espera agora por respostas em campo. Se a escolha de Paiva será um golpe de mestre ou mais um capítulo de um ciclo inconclusivo, só o tempo, e os resultados, dirão.
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