Baiano desafia sistema na São Silvestre
Pódio brasileiro escancara carência estrutural
Fábio Jesus terminou a 100ª São Silvestre na terceira colocação e foi o melhor brasileiro na prova masculina disputada em São Paulo. Natural de Monte Santo, o atleta cruzou a linha em 45min06s, atrás do etíope Muse Gizachew e do queniano Jonathan Kipkoech, mantendo a sequência de domínio africano na corrida mais simbólica do calendário nacional.
O desempenho ganha outra dimensão quando se observa o contexto. Fábio treina em condições precárias, sem acesso regular a pista adequada, realidade que ele próprio expôs ao final da prova. A diferença não está apenas no talento ou no volume de treino, mas na estrutura. Países africanos tratam o atletismo como política esportiva contínua, com centros de formação, calendário competitivo sólido e suporte técnico permanente. No Brasil, o alto rendimento ainda depende da improvisação individual.
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O resultado reforça um quadro histórico. Nos últimos 15 anos, apenas Marílson Gomes dos Santos venceu a São Silvestre no masculino, em 2010. Entre as mulheres, o domínio africano é absoluto desde 2007. O pódio de Fábio Jesus quebra a invisibilidade momentânea do atletismo nacional, mas não altera a lógica de um sistema que produz exceções, não continuidade.
O veredito é direto. O terceiro lugar não é surpresa esportiva, é denúncia competitiva. Quando um atleta chega ao pódio treinando na rua, o mérito é pessoal, não institucional. O Brasil não perde para africanos apenas por genética ou tradição. Perde por escolha. Enquanto o atletismo seguir fora da agenda estratégica, feitos como o de Fábio Jesus continuarão sendo resistência, não projeto.
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